Durante a tarde a primeira palestra foi “Criação Intensiva de Abelhas Indígneas no RS e Polinização Dirigida com Meliponídeos em Cultivos Protegidos e ao Ar Livre“, ministrada pelas pesquisadoras Sídia Witter, da FEPAGRO e Betina Blochtein, da PUC/RS. A ênfase nesta apresentação foi o potencial dos meliponíneos como agentes polinizadores, tanto em cultivos protegidos (em estufas) como ao ar livre. Foram apresentados dados de pesquisas desenvolvidas nas mais diversas culturas, principalmente em olerícolas, como moranguinho, tomate, melão, entre outras. Apresentaram também o Projeto Manduri, desenvolvido nos municípios de Rolante, Riozinho e São Francisco de Paula, proposto pela Associação Papa-Mel de Apicultores de Rolante, que pretende reflorestar com espécies nativas da região, áreas de preservação permanentes e/ou degradadas, juntamente com a instalação de meliponários com três espécies de abelhas nativas: Manduri, Guaraipo e Tubuna (maiores detalhes no site do projeto). Comentaram ainda sobre as publicações que já foram editadas com a sua autoria (Boletim Técnico – Nº 15 – 2005: Abelhas sem ferrão do Rio Grande do Sul: manejo e conservação, disponível para compra no site da FEPAGRO) e outras publicações sobre meliponíneos no RS, de autoria das pesquisadoras, que estão para serem lançadas.
A próxima palestra, “Pesquisa e Extensão em Meliponicultura e a Biodiversidade na Propriedade Rural Agroecológica do Território Sul“, serviu para expor as atividades desenvolvidas pelas entidades de pesquisa e extensão rural: Embrapa, Emater/RS e CAPA.
Pela parte da Emater, o Sr. Eduardo Souto Mayor relatou as experiências e iniciativas acompanhadas por esta importante instituição de extensão rural (sim, estou puxando a brasa para o meu assado). Além da propriedade do Sr. Ildo Lübke, já comentada no post anterior, foi apresentado também um projeto que leva a meliponicultura para a sala de aula, através da doação de colméias de mirins (Plebeia nigriceps) para os alunos das séries iniciais de escolas públicas do município de Canguçu (região de Pelotas). As colméias foram observadas sistematicamente pelos alunos, e as suas observações serviram de subsídio para as mais variadas disciplinas nas salas de aula (redação, em português; anotações em tabelas, estatísticas, operações, em matemática; biologia dos insetos sociais, em ciências; expressão artísticas, em artes; e muitos outros exemplos). Uma das professoras envolvidas no projeto prestou o seu depoimento exaltando o projeto e a parceria com a Emater, bem como relatando os excelentes resultados alcançados. Foram relatados ainda outras iniciativas pioneiras de incentivo da meliponicultura desenvolvidas pela Emater/RS.
Da parte da Embrapa, o pesquisador Luis Fernando Wolff relatou os trabalhos de pesquisa desenvolvidos por esta instituição, destacando o trabalho de análise do própolis de diferentes espécies de meliponíneos, procurando identificar o uso potencial do mesmo, em comparação ao própolis de Apis, visando a confirmação de mais um produto com potencial econômico. Relatou também as pesquisas desenvolvidas em polinização de cultivos com meliponíneos. Uma das coisas que me chamou a atenção nesta palestra foi sobre a grafia da palavra Meliponíneos x Meliponídeos, mas vou falar sobre isso no próximo artigo.
Falando pelo CAPA (Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor), o Sr. Fábio A. Mayer apresentou a sua instituição, bem como o trabalho por eles desenvolvido, no sentido de capacitar pequenos produtores rurais nas mais diversas áreas do conhecimento, incluindo aí a meliponicultura. Destaco aqui ênfase na socialização dos conhecimentos, para todos os públicos e etnias (e não apenas para aqueles com acesso a internet). Destaco também o trabalho feito com a população indígena, buscando o resgatate histórico da meliponicultura como atividade desenvolvida pelos nossos índios. Os principais trabalhos realizados (além dos cursos ministrados) estão no uso de meliponíneos na polinização de hortaliças, visando a produção de sementes ecológicas de hortaliças, para cultivos orgânicos, e também a troca/intercâmbio de material genético, que foi colocado como o principal desafio.
Buenas, com um bom atraso, mas termino aqui o relato sobre as palestras apresentadas no VII Encontro Estadual de Meliponicultores. Pretendo ainda fazer um artigo com minhas impressões gerais sobre o evento, mas isso fica para daqui a alguns dias.
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